quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

Cartas a todos nós

Saudades do sossego de casa, das paredes sem ecos, sem vozes, sem gritos. Só eu e o vazio.

Ou só eu e tu e o sossego que me dás. 

Desarrumo a mala e tiro do fundo a tua t-shirt com esperança que com o teu cheiro desapareçam as saudades. 

Não resulta. 

Lembro o tempo em que nas viagens de trabalho só sentia uma leve saudade do sossego e da solidão de casa. Da minha cama, da minha almofada. 

O que foste fazer Mariana ?

Agora, sozinha neste quarto de hotel friodeito-me e lembro-me de ti, dos teus cabelos ruivos sobre os meus, das nossas pernas entrelaçadas, das minhas botas pretascom atacadores lado a lado com os teus saltos altos vermelhos. 

Tenho os maços de cigarros, o teu whisky preferido, só faltas tu. 

Tornarias esta cama de hotel tão mais confortável. 

Tornas a minha vida tão mais confortável.

Levo-te um pouco de caos.

Trazes-me um pouco de calma e dançamos por entre o tempo que não temos.

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