terça-feira, 3 de novembro de 2015

Cartas a todos nós XXV

Acorda.
É como se não tivesse descansado.
Corpo dorido.
Olhos cansados.

Levanta-se, mete as torradas a fazer, a máquina do café a aquecer.
Mete a cápsula, tira o café, deita a cápsula, agora já usada, no lixo.
A torrada já saltou (como de costume já queimada).

Mete manteiga na torrada enquanto veste umas calças.
Esquece-se de pôr açúcar.
-Bah! Notasse bem a falta.

Queima a língua, larga o café.
Vai procurar uma blusa, penteia o cabelo, lava a cara.
-Muito rápido! Muito rápido!

A torrada já está fria, o café já não queima.
Come e bebe.
 - Muito rápido! Muito rápido!

Sai.
Corre pelas escadas de madeira do seu prédio
 que há muito tempo que já não é novo.

Chove torrencialmente.
Volta a cima.
Pega um casaco e um chapéu.

Volta a correr para baixo.
- Muito rápido! Muito rápido!

Corre para o metro.
Começa a ouvi-lo chegar.
-Rápido! Rápido!

Até lá apanhou molha.
 Escorre-lhe água pelo corpo,
 pinga-lhe pelos cabelos.

O motorista é simpático,
 repara e volta a abrir as portas.
Troca de linha.
- Corre, corre! Muito rápido!

Agora espera...
Outro metro.
Corre!
Finalmente chega ao trabalho.

Almoça no café da frente - Ainda faltam mais 6 horas de trabalho.
Ouve ralhar um colega com outro.
 Agonia-se, mas não se mete.
Tenta concentrar-se.
 - Mas não consegue.

Finalmente dia completo.
Agora vai de autocarro.
Felizmente há lugares. Senta-se.
- Alívio!
Esforça-se por não adormecer.

O autocarro chega ao destino.
Vai andando para casa.
Agora já não corre.

Chega a casa descalça-se.
-Alívio!
Toma um banho.
Escova
Escova
Escova
e deleita-se sob a água quente.

Não há vontade de cozinhar.
Ficasse por uma sopa embalada.
Senta-se, come, vê televisão.

Salta de canal para canal,
"nada de jeito" - pensa.
Mas resigna-se ao que há.

Vai se deitar.
-Alívio!
E amanhã é outro dia.
- Muito rápido! Muito rápido!

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