Sentia-me presa.
Por vezes estava de facto.
Ele trancava-me...
Eu tentava sair, ele punha-se a minha frente.
Agarrava-me, eu dizia que ele me aleijava, pedia que parasse.
Ele apertava com mais força e dizia que aquilo não doía, não podia doer.
Ás vezes chamava-lhe de abraços.
Irritada dizia-lhe que não queria os seus abraços.
Doía mais...
Ele ficava mais furioso.
Ás vezes dizia que era para nosso bem.
Voltava a aleijar-me...
Ele pode chamar-lhe o que quiser.
Até pode dizer que eram festinhas...
O que eu sei é que não estava certo!
E para mim isso é muito mais importante que dar nomes ás coisas.
Sei que doía.
Sei que ele não se importava minimamente com isso.
Sei que me fazia sentir péssima só com as coisas que me dizia,
A maneira que falava comigo...
Sei que lembro-me de mim,
deitada na cama a chorar
e a apertar o pescoço
enquanto sustinha a respiração
com esperança de que pudesse fechar os olhos e nunca mais tivesse de o ver.
O meu nome era Maria
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