quarta-feira, 2 de maio de 2012

Ou tudo ou nada



Depois de partilharmos quase uma hora de silêncio
 resolvemos que era o suficiente,
pagámos e fomos embora.

Lá fora olhamos um para o outro
e estendeste-me os braços
esperando que te desse um abraço.
Eu achei que não fazia
qualquer sentido,
mas abracei-te.

Soube bem!
Soube tão bem...
Relembrou-me tudo aquilo que já tínhamos passado
e tinha tudo menos vontade de te largar quando
ainda há instantes só tentava ter coragem para te dizer que
achava melhor não voltarmos a estar juntos.

Virámos costas e o sentimento voltou...
Mandei-te logo mensagem a quebrar
o silêncio de todo aquele tempo,
como cobardemente sempre faço.

"Não há mais lenha por onde arder",
disse eu,
respondeste-me: " a lenha nunca acaba",
"já acabou"  - disse - e deixamos assim de falar.

Com o desejo de
distanciamento veio também
a consciência de que não
tínhamos nada para dar um ao outro,
Porém, temos demasiado...
E por termos demasiado para dar
não temos nada,
não somos nada,
não podemos ser nada...


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