sexta-feira, 13 de abril de 2012

Até deu para esquecer

Eu estava completamente bêbeda
e tu trouxeste-me a casa,
tu cuidaste de mim...

A cima de tudo estavas preocupado comigo,
qualquer outro "amigo" teria simplesmente
rido do meu estado,
tu não...
Tu fizeste com que vestisse o casaco,
talvez o "casaco-inho" como disseste...
Tu agarraste-me junto a ti com medo que caísse
e tentando ao máximo que andasse minimamente a direito.
Tu quiseste saber o porquê de eu estar assim...

Inicialmente ri-me da pergunta...
Do género "queres mesmo que te explique?",
Só depois percebi que, no fundo,
querias saber o que tinha feito de mim a pessoa que tinhas à tua frente...
O que me tinha feito beber até estar naquele estado.

Estava cheia de sede
e aí o quanto ainda me riu quando passo
pelo chafariz onde fomos beber água!
Cada vez que me lembro do teu olhar atento...
Do teu jeito de braços cruzados...
Do teu sorriso de criança curiosa...
Enquanto que eu tentava mil e uma vezes,
clicando sempre no mesmo lugar,
que finalmente pudesse beber água...
Até que olhei para ti e te perguntei que cara era
a tua e com a maior simplicidade do mundo
fizeste com que aquilo funcionasse.

Rimo-nos...
Rimo-nos com a nossa característica cumplicidade
enorme, como já há muito que não fazíamos,
foi bom, foi muito bom...
Se não fosse talvez não me lembrasse com este sorriso
que agora tenho.

Chovia...
Daquela chuva a que chamamos "molha parvos"
e que curiosamente nem se quer nos importou...

Lembro-me de na esquina do quarteirão
me deixar cair sobre o chão
e ficar sentada como uma criança
que não espera nada,
uma criança que está simplesmente
 sentada alegremente no chão.

Teimei contigo que não queria ir para casa.
Tu disseste que ias embora, mas tão rápido me viraste costas
como voltaste.
Estendeste-me a tua mão e disseste-me "anda"
e logo a seguir estendeste a outra que carinhosamente agarrei
e que carinhosamente me puxou.

Levantaste-me,
abraçaste-me
e continuamos a andar no caminho de casa.

O chão estava molhado...
Escorreguei!
Caí e bati com a cabeça na parede
 dum prédio já próximo do meu.
Instantaneamente ajoelhaste-te no chão junto a mim
e abraçaste-me com força,
apertando a minha cabeça contra o teu peito.
Nunca te tinha visto tão aflito...

Mas estava tudo bem.
Levantámo-nos e seguimos até ao meu prédio.
Abraçámo-nos de novo...
Até deu para me esquecer que não podíamos ser amigos.

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