quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Simplicidade de nascença


Eu queria ser para sempre pequenina.
Quando crescemos tornamos-nos rezingões e passamos a levar todas as brincadeiras com cara seria, temos consciência que somos enganados por todos e que não podemos confiar em ninguém, deixamos de dar valor a palavra amizade, na verdade, por vezes, deixamos mesmo de saber o que isso é.
Deixamos de dizer exactamente o que pensamos, mentimos aos nossos amigos e a partir dai somos capazes de mentir a qualquer pessoa.
Passamos a enganar os que nos rodeiam, deixamos de dar importância a nossa palavra, devemos a Sra. do pão e ao homem do talho, pedimos coisas emprestadas aos nossos “amigos “sem intenção de as devolver, por vezes somos mesmo capazes de os roubar.
Bebemos um xarope como quem bebe água e nem fazemos caras feias, deixamos de ser genuínos no geral e substituímos essa nossa qualidade pela hipocrisia.
Passamos a ter noção de que, na realidade, não podemos mudar o mundo e deixamos os sonhos escorregarem-nos por entre os dedos.
Deixamos de rir constantemente, de dar gargalhadas a serio e de sorrir por qualquer razão que seja ou mesmo por nenhuma.
Deixamos de ser puros, deixamos de não ver mal nas coisas e substituímos a nossa ingenuidade encantadora pelo stress, pela ganância, pela inveja, pela ambição, pelos pensamentos maldosos e perversos.
Passamos a achar maior parte dos desenhos animados ridículos e substituímos-los por series cheias de mistério ou coisas sobrenaturais.
Passamos a não nos contentar com nada, a não conseguirmos estar realmente satisfeitos, quando em pequenos ficávamos satisfeitos com tão pouco.
Com o passar dos anos ficamos mais totós e, por vezes, até compramos coisas que dizem explicitamente “Mata!”.


Deixamos de dizer “queres ser meu amigo?” ou “brincas comigo?”, passamos a reparar na cor da pessoa, na sua estatura, na sua beldade, em vez de repararmos que nos sorriu ou que até pode ser alguém fantástico. Passamos a aperceber-nos das diferenças entre as pessoas, passamos a ter noção das etnias e culturas, normalmente passamos a ser racistas, basicamente deixamos de ser aquele ser que reconhece todos como iguais a si.



Acredito mesmo que ser criança é ser o elemento mais puro ao cimo da terra e por tudo isto, eu queria ser para sempre aquela menina inocente e ingénua que dava gargalhadas enormes e tinha um sorriso contagiante e mesmo marcante, eu queria ser aquela simplicidade que é ser  se criança.
Mas eu fui crescendo... E eu não queria.


Tenho mesmo pena que algumas pessoas deixem de ser crianças, mas, na realidade,  também não cresçam.





(Primeira foto de Inês Rute, a razão deste texto pelo seu sorriso marcante de criança :) )







1 comentário:

Anónimo disse...

essa indirecta das series subrenaturais, ahah :b bom bom tut
Ms